ESCÂNDALO DAS DIÁRIAS: MP APERTA O CERCO E EXPÕE GASTOS MILIONÁRIOS NA CÂMARA DE GUAJARÁ-MIRIM



Guajará-Mirim (RO) — Um verdadeiro alerta foi acendido sobre o uso de recursos públicos na Câmara Municipal de Guajará-Mirim. O Ministério Público de Rondônia (MPRO) entrou em cena e recomendou medidas urgentes após identificar um gasto que ultrapassa R$ 1,1 milhão em diárias apenas no ano de 2025 — valor considerado elevado e, em alguns casos, potencialmente desproporcional.

A investigação conduzida pelo promotor Leonardo Castelo Alves revelou números que chamam atenção: há registros de parlamentares que teriam recebido quase R$ 150 mil individualmente em diárias ao longo do ano. O montante levanta questionamentos sobre a real finalidade desses recursos e a efetividade das viagens custeadas com dinheiro público.

Segundo o MP, as diárias devem ter caráter estritamente indenizatório, ou seja, destinadas exclusivamente a cobrir despesas com deslocamentos a serviço do interesse público. “Não podem, em hipótese alguma, ser utilizadas como complemento salarial ou para atividades que não apresentem retorno direto à população”, destacou o promotor.

MEDIDAS URGENTES E PRAZO CURTO

Diante do cenário, o Ministério Público foi enfático: é preciso apertar o controle e frear os gastos. Entre as recomendações, estão:

  • Estabelecimento de limites orçamentários mais rígidos para concessão de diárias;
  • Exigência de relatórios detalhados, com comprovação clara dos resultados das viagens;
  • Fortalecimento da Controladoria Interna, que deverá analisar com mais rigor cada solicitação;
  • Priorização de soluções digitais, como videoconferências, evitando deslocamentos desnecessários.

O recado é direto: sem controle, pode haver consequências. O MPRO alertou que o descumprimento das recomendações pode resultar em medidas judiciais por improbidade administrativa, o que eleva ainda mais a gravidade da situação.

PRESSÃO POR TRANSPARÊNCIA

A Câmara Municipal agora corre contra o tempo. Foi estabelecido um prazo de 10 dias úteis para que o Legislativo informe quais providências serão adotadas para corrigir as distorções e garantir mais transparência e responsabilidade na aplicação dos recursos públicos.

O caso repercute e aumenta a pressão da sociedade por respostas. Em um momento em que a população cobra eficiência e respeito ao dinheiro público, o episódio coloca em xeque práticas administrativas e reacende o debate sobre fiscalização e ética na gestão pública.

A expectativa agora é que as medidas recomendadas não fiquem apenas no papel — e que o episódio sirva como divisor de águas na forma como os recursos são utilizados dentro do Legislativo municipal.