“CHOROU NA DELEGACIA”: PECUARISTAS PERDEM ATÉ R$ 500 MIL EM ESCÂNDALO COM FRIGORÍFICO EM GUAJARÁ-MIRIM

 

Operação revela esquema milionário, famílias arruinadas e suspeita de fraude que ultrapassa R$ 10 milhões em Rondônia

Um escândalo de grandes proporções está abalando o setor pecuário de Rondônia. Cerca de 90 produtores rurais foram vítimas de um suposto esquema envolvendo um frigorífico em Guajará-Mirim. O prejuízo individual chega a R$ 500 mil, e há casos em que famílias perderam todo o patrimônio acumulado ao longo de anos de trabalho.

A gravidade da situação ficou evidente durante coletiva da Polícia Civil nesta quarta-feira (29), quando a delegada Adrian Viero revelou o impacto humano por trás dos números.
“Teve vítima que chorou na delegacia, relatando refinanciamento de dívida”, afirmou.

Segundo a Divisão de Repressão ao Patrimônio (DRP), o frigorífico investigado comprava gado de produtores locais com pagamento a prazo. No início, os atrasos foram tolerados, mas logo se transformaram em inadimplência generalizada. O que parecia ser uma negociação comum acabou se revelando um possível golpe de grandes proporções.

Na tentativa de reaver os valores, os pecuaristas foram surpreendidos com a alegação de recuperação judicial da empresa. Em janeiro, uma nova rodada de negociação foi proposta, mas também fracassou, aprofundando ainda mais o prejuízo das vítimas.

O perfil dos afetados é diverso, mas o drama é o mesmo: produtores que confiaram na negociação e agora enfrentam dívidas, insegurança financeira e incertezas sobre o futuro. Muitos recorreram a empréstimos e refinanciamentos para manter compromissos, e hoje se encontram sem respaldo.

INVESTIGAÇÃO APONTA FRAUDE E SONEGAÇÃO

A Operação Rompere, conduzida pela Polícia Civil com apoio da Secretaria de Estado de Finanças (SEFIN), investiga crimes contra o patrimônio e possíveis fraudes fiscais. O prejuízo total pode ultrapassar R$ 10 milhões.

Além do impacto direto às vítimas, há indícios de sonegação fiscal.
“O dinheiro sonegado é dinheiro que deixa de ser investido em políticas públicas”, destacou a delegada.

A linha de investigação aponta para estelionato com características de organização criminosa. Segundo os investigadores, o tipo de golpe não é inédito — o que muda são os envolvidos e as vítimas.

NOVAS FASES PODEM VIR

A operação ainda está em andamento. Equipes da Polícia Civil seguem analisando documentos e materiais apreendidos durante mandados de busca e apreensão realizados na última terça-feira (28), inclusive em unidades frigoríficas.

A expectativa é de que novas fases da operação sejam deflagradas, podendo ampliar o número de envolvidos e esclarecer o destino dos recursos.

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